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Frangó: Opinião de(a) Pedro Schiavon

 
- Aquilo que é coxinha! – disse o Renato, tentando convencer o resto da turma, já devidamente instalada em um boteco do outro lado da cidade, a fechar a conta, levantar da mesa, entrar no carro e despencar até a Freguesia do Ó.
- Mas nós acabamos de chegar! E dá mais de 10 quilômetros até chegar lá...
- Vocês não entendem porque vocês não conhecem. Cada coxinha vale pelo menos 1 quilômetro... e a pé!
- Senta aí! Semana que vem nós vamos. Já deixamos combinado aqui. No dia de sempre, na hora de sempre, só que lá no tal do Frangão.
- É Frangó, com o ó da Freguesia!
- Tá bom, no Frangóóó.
Mas o Renato não desistiu. Estava com fome. Quase sonhando com as coxinhas e só falava nisso. Começou descrevendo o caminho:
- Depois que você sai da avenida e sobe a ruazinha, chega numa pracinha que parece cidadezinha do interior. É o largo da Matriz, uma graça, com a igreja no meio e tal. E quase sempre tem uns eventos meio estranhos, tipo quermesse e umas coisas assim. Nem parece São Paulo...
- Sei...
- A gente logo vê o bar porque sempre tem um monte de gente em volta, mas tem lugar. Parece que não, mas sempre tem, porque é um casarão do século 19 que parece um labirinto onde você sobe, desce, vira, anda e tem sempre mais uma salinha e um salão. Aí você senta e espera as coxinhas, que vem sempre no ponto, sequinhas, crocantes...
- Que saco! Pára com isso!
- Eu tô com fome...
- Pede alguma coisa pra comer!
- Será que eles entregam aqui? Duvido! – E de qualquer jeito, lá é melhor, por causa das cervejas. Eu já falei das cervejas? Eles não têm cardápio. Têm uma Bíblia de cervejas! De tudo quanto é canto. O legal é que tem uns pacotes de degustação, tipo você paga tanto e tem direito a tantas cervejas diferentes. Aí você pega uma da Bélgica, outra do Japão, uma holandesa...
- Eu vou dar uma na orelha dele!...
Foi nisso que chegou o Paulo, o último que estava faltando, atrasado, e que já tinha ido com o Renato pras bandas da Freguesia uns dois anos antes.
- Tô contando pra eles do Frangó – disse o Renato, dando a deixa para o Paulo continuar.
- Fui lá faz uns 10 dias – disse o Paulo – Tá muito caro! Fui tomando as cervejas, uma branca italiana, uma preta irlandesa, uma bock dinamarquesa, e quando vi estava duro!
- Você podia ter ficado nas nacionais...
- E quem resiste?
- Tá vendo? Decidido! Não vale a pena. É melhor ficarmos por aqui...
- Peraí! Quem disse que não vale a pena? Eu só disse que não dá pra ir todo dia porque, realmente, eles andam exagerando um pouco. Mas sempre que dá, eu volto. E tem as coxinhas...
- Droga! Você tinha que lembrar das coxinhas?
- Mas não dá para esquecer das coxinhas...
- Tudo bem, mas vocês só falam das malditas coxinhas! Não tem outra coisa pra comer lá?
- Sei lá. Deve ter. Tem uma lista enorme no cardápio, mas eu nunca li. A gente chega e pede as coxinhas. Depois, um ou outro pede o cardápio pra ver o que tem, olha daqui, olha de lá e pede mais coxinha. Eu nem olho...
- Chega! – disse o Renato – eu desisto. Vocês venceram. Tô passando mal. Vou embora para casa. Estou morrendo de fome e agora não consigo comer mais nada, muito menos coxinha, a não ser aquelas. Vou fazer um miojo, pedir uma pizza, conhecer novos amigos, mas aqui eu não fico.
- E se a gente fosse para outro lugar?
Todo mundo se olhou em silêncio. Pediram a conta. Levantaram e se amontoaram quietos no carro do Paulo. Meia hora depois estavam na Freguesia do Ó. Entraram ainda meio quietos. Todo mundo olhando para o Renato. Iam satisfazê-lo e ele ia ficar devendo essa para a turma. Ou então iam matá-lo.
Sumiram dentro do bar e, pelo visto, a coisa foi longe. O garçom não parava de buscar cerveja. Começaram nas nacionais para economizar, mas acabaram intercalando umas gringas entre elas.
A última notícia que tive é que a conversa tinha esquentado de novo e que iam ficar só mais um pouquinho, pois tinham acabado de pedir mais coxinhas.
Dica: As coxinhas, claro.
Preço
$$
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Endereço:

Largo da Matriz Nossa Senhora do Ó,168 - Freguesia do O - São Paulo


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