Débora C. escreveu sobre Frangó

Largo da Matriz Nossa Senhora do Ó, 168

Numa época em que muito se fala dos bares da moda, preferimos dar crédito a um bar que nunca saiu de moda.
Há exatos 20 anos o Frangó ocupa um centenário casarão do Largo da Matriz, lá na Freguesia do Ó. Ensinou desde cedo o que a maioria está aprendendo na marra só agora: que bares de bom nível devem ter uma verdadeira carta de cervejas. Fez disso seu diferencial e ganhou justa fama. Mas não se acomodou, quer uma evidência disso? Então saiba que basta uma cerveja gringa desembarcar pela primeira vez em terras brasileiras que as geladeiras do Frangó são um dos primeiros locais a recebê-las.

Tanta atenção às movimentações de mercado tem como efeito colateral uma grande confusão na cabeça de quem olha o cardápio e se vê obrigado a escolher entre as cerca de 200 marcas de cerveja. A decisão, claro, fica por conta da curiosidade: pode ser uma belga ou alemã famosa, uma brasileira produzida em alguma micro-cervejaria da qual poucos ouviram falar, uma japonesa que viajou horas e horas até chegar no Brasil, ou, quem sabe, até uma canadense sem tradição. Outro fator que pode e deve pesar na escolha é o tamanho do bolso. Isso porque os valores variam de um a três dígitos antes da vírgula.

E antes que algum atento leitor berre que nossa função aqui é sugerir, vamos ao trabalho: não deixe de provar o chopp holandês La Trappe Blond. A única cerveja trapista elaborada fora da Bélgica é aromática, apresenta espuma persistente e 6,5% de graduação alcoólica.

Consegue dois feitos raros: o de ser, ao mesmo tempo, encorpada e refrescante; e o de manter no chopp características idênticas à versão engarrafada. No Frangó, seu preço normal é 14,90 (o chopp), mas em épocas de promoção sai por R$ 9,90. Mais conhecida dos brasileiros, a alemã Spaten Hell (R$ 9,50) é outra que agrada. Trata-se de uma lager premium com bom corpo e um amargor característico.

Ambas são garantia de qualidade, mas com tanta variedade fica divertido escolher alguma ilustre desconhecida para ser degustada. Nesse caso, é bom saber que, em meio a duas centenas de marcas, estão escondidas algumas de qualidade duvidosa, pra dizer o mínimo. Nós, por exemplo, arriscamos a Bruge Ale, produzida em Águas de Lindóia. Decepção total! De cara, a cor de suco de caju nos deixou desconfiados.

O que não imaginávamos é que o pior estava por vir: um sabor muito, mas muito doce, quase rivalizando com um bom copo de caldo de cana (que acompanha bem o pastel, mas não se passa por cerveja).
O jeito é encarar com bom humor eventuais decepções com uma cerveja desconhecida. Agora, para não se decepcionar com os comes, desconsidere os pratos sugeridos no cardápio e vá direto à porção de coxinha (10 unidades por R$ 13,90).

Crocantes e com farto recheio de frango e Catupiry, fazem jus a cada um dos seus inúmeros fãs.

Sugestão do chef: Finalize com um digestivo licor. De cerveja, é claro! Estamos falando do Bierlikör, feito na melhor cervejaria brasileira, a catarinense Eisenbahn. A base dele é a Eisenbahn Dunkel, uma cerveja escura que leva cinco tipos de maltes torrados. Com aroma e sabor de baunilha, sai por R$ 7,50 no Frangó.

Brincando de Chef – www.brincandodechef.com.br
Custo-benefício
Preço $$
Vânia M. e Fernanda L. gostaram
Vânia M.

As eventuais decepções com cervejas desconhecidas é fato! rs

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